A Aventura de Cormac na Terra da Promessa

Sequenciando As Instruções do Rei Cormac

Bellodunon

Echtra Cormaic i Tír Tairngire

A Aventura de Cormac na Terra da Promessa

Leabhar Buidhe Lecain, “Livro Amarelo de Lecan”, col. 889, l. 26, p. 181; Irlanda, c. 1391 – c. 1401.

Tradução: Bellouesus

manannan2-2x4Certa vez em que Cormac, filho de Art, filho de Conn das Cem Batalhas, estava em Liathdruim, ele viu um rapaz no campo diante de sua fortaleza, tendo na mão um cintilante ramo encantado com nove maçãs de ouro vermelho. E era esta a propriedade desse ramo, que, quando qualquer um o agitasse, homens e mulheres feridos seriam acalentados pelo som da dulcíssima música mágica que as maçãs emanavam e outra propriedade era que ninguém na terra manteria no pensamento qualquer preocupação, pesar ou tristeza na alma quando o ramo lhe fosse balançado e, com o sacudir do ramo, ninguém se lembraria de qualquer mal que pudesse ter ocorrido. Cormac disse ao jovem: “É teu…

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O Sonho de Oéngus

Uma noite, Oéngus estava adormecido em sua cama, e viu em seu sonho o que ele pensou ser uma garota andando em sua direção; e ela era a mais bela garota da Irlanda. Oéngus tentou pegar sua mão, mas ela desaparecey e ele não sabia quem a havia levado. Ele ficou em sua cama até o amanhecer, mas estava com a mente perturbada. A forma que ele viu estava deixando-o doente. Nenhuma comida entrou na sua boca naquele dia. Ele a esperou até a tarde. E ele viu um timpán, em sua mão, o mais doce que já existiu. Ela tocou uma música para ele. Ela tocou até ele dormir. Assim ele ficou a noite toda e no dia seguinte ele nada comeu.

Um ano completo se passou e ela continuou visitando-o, e ele se apaixonou por ela. Ele não contou para ninguém. Ele adoeceu mas ninguém sabia qual era o problema. Os curandeiros da Irlanda vieram mas nenhum deles descobriu qual o problema. Então foi chamado Fingen, o curandeiro de Conchobur. Ele veio. Ele podia ver no rosto de uma pessoa qual a doença ele tinha e também podia saber, olhando a fumaça de uma casa, quantas pessoas doentes estavam lá dentro.

Fingen foi levado para dentro da casa. “Isto não pode ser nada,” disse Fingen, “além de amor por alguém ausente”. “Você adivinhou a minha doença,” disse Oéngus. “Você adoeceu em seu coração e não contou para ninguém,” falou Fingén. “Você tem razão,” falou Oéngus, “uma linda garota veio até mim, e ela era a mais bela de toda a Irlanda. Ela tinha um timpán em suas mãos e tocou para mim todas as noites”. “Ainda assim,” disse Fingén, “seu amor por ela apoderou-se de você. Falemos com Boann, sua mãe, para ela possa te ajudar.”

Ela foi chamada, e a famosa Boann veio. “Fui chamado para atender esse homem”, falou Fingén, “porque ele foi afligido por uma doença misteriosa.” Ele contou a história para Boann. “Que sua mãe o cuide,” disse Fingén, “que ela procure em toda a Irlanda para encontrar a garota que o rapaz viu em seu sonho.” Ela procurou por um ano. Não encontraram uma garota parecida com ela. Fingén foi chamado outra vez. “Não achei nenhuma ajuda para ele,” falou Boann. Então falou Fingén, “Chamemos pelo Dagda para ajuda-lo.”

O Sonho de Oéngus, o filho de Dagda e faz parte do Táin Bó Cualnge.

O Sonho de Oéngus, o filho de Dagda e faz parte do Táin Bó Cualnge.

O Dagda foi chamado. E ele veio.

“Porque fui chamado ?” “Para aconselhar seu filho”, falou Boann, “é certo que você o ajude. Ele está preso pelo amor de alguém ausente e nenhuma ajuda foi encontrada.” “Porque chamar por mim ?”, disse o Dagda, “meu conhecimento não é maior que o seu.”

“Mas é fato,” falou Fingén, “que o senhor é rei dos síde da Irlanda. Envie mensageiros para Bodb, rei dos síde de Muma, pois seu conhecimento é de toda a Irlanda.”

Mensageiros foram enviados e foram bem recebidos. “Sejam bem-vindos”, falou Bodb, “ó povo do Dagda. E digam porque vieram. Vocês tem notícias ?” falou Bodb. “Temos sim. Oéngus, o filho do Dagda, está apaixonado há dois anos”. “Do que se trata ?” perguntou Bodb. “Ele viu uma garota em seu sonho. Não sabemos onde na Irlanda ela pode ser encontrada. O Dagda pede que o senhor procure toda a Irlanda por uma garota com sua forma e aparência”. “Farei isto”, disse Bodb, “e a busca durará um ano, até que ela possa ser encontrada com certeza.” Ao fim de um ano, o povo de Bodb foi até sua residência em Síd al Feman. “Viajamos por toda a Irlanda, e encontramos a moça em Loch Bel Dracon, em Cruitt Cliach”, falaram a Bodb. Mensageiros foram até o Dagda e foram bem recebidos. “Vocês tem notícias ?” perguntou o Dagda. “Boas notícias: encontramos a garota da forma que o senhor descreveu. Bodb pediu que Oéngus viesse conosco para ver se a reconhece.” Oéngus foi levado em uma carruagem até o Síd al Femen. Houve uma grande festa, a qual durou três dias e três noites. “Vamos agora,” disse Bodb, “para ver se reconhece a garota.”

Eles foram até o lago. Ali viram 150 jovens garotas. A garota de Oéngus estava entre elas. Nenhuma das outras meninas era mais alta que seus ombrodsc_2087s. Cada par delas estava ligado por uma corrente de prata. Mas a garota de Oéngus tinha um colar de prata e sua corrente era de ouro polido. Então perguntou Bodb, “Você reconhece a garota ?”, “Claro que eu a reconheço,” disse Oéngus. “Não posso fazer nada além disso por você,” disse Bodb. “Não importa”, disse Oéngus, “porque ela é a garota que eu vi. Não posso levá-la agora. Quem é ela, ó Bodb ?” disse Oéngus.

“É claro que a conheço,” falou Bodb. “É Caer Ibormeith, filha de Ethal Anbual de Sid Úamain, da província de Connacht.”

Depois disso, Oéngus e seu povo voltaram para sua terra e Bodb foi com eles para visitar o Dagda e Boann em Bruigg Maicc ind Óicc. Eles contaram a história; como ela tinha a forma e a aparência que Oéngus vira; disseram seu nome e o nome de seu pai e seu avô. “É uma tristeza,” disse o Dagda, “não podermos traze-la”. “O que seria bom, ó Dagda,” falou Bodb, “é ir até Ailil e Medb, “pois ela está no território deles.”

O Dagda foi a Connacht com 60 carruagens de guerra. Foram recebidos pelo rei e pela rainha. Passaram uma semana festejando e bebendo. “Qual o motivo de sua viagem ?” perguntou o rei. Há uma garota em seu território”, falou o Dagda, “por quem meu filho se apaixonou e adoeceu. Eu vim saber se os senhores a concederão a ele.” “Quem é ela ?” Perguntou Ailil. “A filha de Ethal Anbual.” “Não podemos dá-la a ele”, disseram Ailil e Medb.

“Então seria bom chamar o rei do síd aqui,” falou o Dagda.

O administrador de Ailil foi até Ethal Anbuail. “Ailil e Medb pedem que o senhor vá encontra-los.” “Não irei,” disse ele, “e também não darei minha filha ao filho do Dagda.” O administrador disse tudo isso a Ailil, citando que “ele sabe porque foi chamado e não virá.” “Não importa.” falou Ailil, “ele vai sair do síd e as cabeças dos seus guerreiros irão com ele. Então o povo da casa de Ailil e o povo do Dagda levantarão-se contra o síd. Eles destruíram o síd totalmente e levaram sessenta cabeças com eles, sendo o rei aprisionado em Crúachu.

Ailil falou para Ethal Anbuail, “Dê sua filha para o filho do Dagda.” “Não posso fazer isso,” respondeu ele, “há um poder nela que é maior que o meu.” “Qual é o grande poder que está sobre ela ?” perguntou Ailil. “Não é difícil dizer, ela tem a forma de pássaro todos os dias, durante um ano, e a forma de uma mulher em cada dia do ano seguinte.” “Em qual ano ela estará em forma de pássaro ?” perguntou Ailil. “Não posso dizer,” respondeu o pai. “Cortaremos sua cabeça se não falar,” disse Ailil.

“Não escondo mais o segredo,” disse ele; “eu direi, já que são tão teimosos. No próximo Samhain, ela estará na forma de pássaro em Loch Bel Dracon e passaros belissimos estarão com ela. Haverá 150 cisnes ao seu redor, e eu estarei pronto para eles.” “Não importa,” falou o Dagda, “porque eu já sei o que você fez com ela.”

Então um acordo foi feito entre Ailil e Ethal e o Dagda, e Ethal foi liberado. O Dagda partiu. Ele contou a história para seu filho. “Vá no próximo Samhain ao Loch Bel Dracon, e chame-a para você.” Ele viu 150 pássaros brancos com correntes de prata e cabelos dourados em suas cabeças. Oéngus estava sob forma humana, na margem do lago. Ele chamou pela garota. “Venha para mim, ó Caer.” “Quem está chamando ?” perguntou ela. “Oéngus te chama.” “Irei, se prometer que posso voltar ao lago.” “Eu prometo,” ele disse.nlc012118-v6

Ela foi para Oéngus. Ele a abraçou. Dormiram na forma de dois cisnes até que deram três voltas ao redor do lago; e foi assim que ele manteve sua promessa; Voaram na forma de dois pássaros brancos até Bruigh Maicc Ind Óicc. Eles cantavam até as pessoas dormirem por três dias e três noites. A moça ficou ele depois disso.

Foi assim que a amizade entre o Macc Óc e Ailil e Medb foi feita; E é a razão de Oéngus ter ido com trezentos homens com Ailil e Medb ao roubo do touro de Cualnge.

O nome dessa história é o Sonho de Oéngus, o filho de Dagda e faz parte do Táin Bó Cualnge.

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