A primeira batalha de Magh Turedh Part 1

A primeira batalha de Magh Turedh
Cét-chath Maige Tuired/
Cath Maighe Tuireadh Cunga/
Cath Maighe Tuireadh Theas

 

 

 

  1. ‘Filhos do poderoso Nemed, qual o motivo de vossa reunião? O que os trouxe aqui – contenda, conflito ou combate?’

 

‘O que nos trouxe de nossas casas, oh sábio Fintán, é isso: nós sofremos nas mãos dos Fomorians da Irlanda pela razão do tamanho do tributo.’

 

‘Qualquer que seja o tributo, ou quem quer ou onde quer que tenha sido imposto, não está em nosso poder arcar com ele ou dele escapar.’

 

‘Há dentre vós um grupo, belicoso embora pequeno em toda a terra, que pode trazer mais ruína do que tributos aos Fomorians.’

 

‘Partam se pensam que essa é a hora certa, gloriosos filhos de Nemed; não sofram desnecessariamente, não fiquem aqui, mas vão para longe.’

  1. ‘É esse o teu conselho para nós, sábio Fintán ?’ ‘É esse,’ disse Fintán, ‘e ainda tenho mais conselhos para vós: não deveis ir por uma rota ou direção, pois uma frota não pode ser reunida sem irromper de uma luta; um grande número significa discussões, estranhos provocam desafios, e uma hoste armada, conflitos. Vocês não acham fácil viver juntos em qualquer ponto da Irlanda, e não seria nem um pouco mais fácil para suas hostes ao buscarem novas casas.’

 

  1. ‘Partam dessa terra, filhos de Nemed; deixem a Irlanda e escapem da violência de seus inimigos.’

 

‘Não fiquem mais aqui, não mais paguem tributos. Seus filhos ou seus netos retomarão a terra de onde agora fogem.’

 

‘Deveis viajar para a terra dos gregos – não é uma falsa história que conto – e embora vocês partam em milhares, sua força não será vista como suficiente no Leste.’

 

‘Os filhos do resoluto Beothach devem deixa-los e ir em direção ao gélido Norte, os filhos de Semeon em direção ao Leste, embora vocês sintam que isso é estranho, partam.’

 

  1. Então eles se separaram, Fintán e os famosos filhos de Nemed. Beothach, filho de Iarnobel, permaneceu, com seus dez homens e suas esposas, na Irlanda, de acordo com o poeta:

 

Filho de Iarnobel, Beothach dos julgamentos claramente ditos, permaneceu na Irlanda. Seus filhos foram para o leste, para o noroeste de Lochlann.

 

  1. Assombrosa é a ignorância mostrada por aqueles que pensam que Tait, filho de Tabarn, era o único rei sobre os filhos de Nemed, pois ele ainda não era nascido. Ele nasceu no Leste, e nunca veio para a Irlanda.

 

  1. Imensa era a frota, ávida a reunião, considerando quão poucos aportaram da grande companhia que deixou a Irlanda, pois apenas trinta homens escaparam na tomada da Torre de Conaing, e desses, um terço permaneceu com Beothach na Irlanda. Os vinte restantes se multiplicaram grandemente, pois o número de navios que agora deixava a Irlanda era de dez mil cento e quarenta.

 

Aqueles amigos queridos, então, separados, tristes e pesarosos, eram o pequeno resto que permaneceu na Irlanda…

 

  1. (…) os mistérios da magia, o conhecimento, o aprendizado, e dons proféticos, o domínio das armas e feitos astuciosos, as viagens e andanças dos filhos de Ibath, pois aconteceu de, naquelas histórias, que todos partiram de um lugar vir a ser dito. Uma narrativa diferente é necessária para cada raça. Comovendo os filhos de Semeon, filho de Starn. Uma tempestade os tirou de seu curso, até que eles chegaram às terras secas da Trácia às arenosas praias da Grécia, e ali eles aportaram. Então os habitantes e campeões da terra os visitaram, e fizeram um acordo de paz e concordaram com eles. Território lhes foi dado, mas na praia, nas fronteiras distantes, em gélidos trechos ríspidos e de rochas acidentadas, nos lados das colinas e encostas das montanhas, em cumes inóspitos e ravinas profundas, em terra alquebrada e território inapropriado para o cultivo. Mas os estranhos levaram uma grande quantidade de solo para as lisas pedras nuas e as transformaram em sorridentes planícies cobertas de trevos.

 

  1. Quando os chefes e homens poderosos da terra viam os lisos, amplos e verdes campos, e as grandes extensões de terra frutiferamente cultivada, eles expulsariam os ocupantes, e lhes davam em troca rudes regiões selvagens, duras terras pedregosas com serpentes venenosas. De qualquer modo, eles domesticavam e cultivavam o solo, e os transformavam em bons campos frutíferos, belos e amplos como todas as terras que lhes eram tomadas.

 

  1. Mas enquanto isso, os filhos de Nemed aumentaram e se multiplicaram até que eles contavam muitos milhares. O tributo ficou mais pesado e seu trabalho mais duro, até que eles, agora uma poderosa companhia, resolveram secretamente fazer grandes barcos curvos das bem tecidas trouxas que eles usaram para levar o solo, e navegar para a Irlanda.

 

  1. Duzentos anos tinham se passado desde a tomada da Torre de Conaing até o retorno dos filhos de Semeon à Irlanda. Foi na mesma época que os famosos filhos guerreiros de Israel estavam deixando o Egito em busca da feliz terra prometida, enquanto os filhos de Gaidel Glas se moviam do sul após a fuga do povo de Deus e o afogamento do Faraó, e chegavam à rude e gélida Cítia.

 

  1. Durante os duzentos anos após a tomada da Torre de Conaing, os filhos de Semeon se multiplicaram até que somavam muitos milhares, formando fortes hostes corajosas. Por conta da severidade do trabalho e o peso da servidão impostas, eles decidiram fugir da perseguição, se esforçar para escapar e seguir seu caminho para a Irlanda.

 

  1. Eles fizeram barcos de suas trouxas, e roubaram alguns barcos, botes e galeras dos soldados dos gregos. Os lordes e líderes, cabeças, chefes e campeões daquela frota eram os cinco filhos de Dela, de acordo com o poeta:

 

Para a nobre Irlanda assim partiram os cinco filhos de Dela filho de Loth, o impetuoso, Rudraige, Genann, Gann, Slainge das lanças, e Sengann.

 

  1. Eles o fizeram no anoitecer, e guiaram seus navios no porto onde eles haviam aportado. Slainge, o mais velho da companhia, que era o juiz entre seus irmãos, arengou com eles como segue:

 

‘Agora é a hora do esforço, cuidado e atenção; feroz e cinzento com a espuma é o mar; cada bela frota parte para escapar do intoleravelmente errado; à tirania dos gregos não estamos acostumados; as planícies da Irlanda portadora dos salmões temos de lutar para conquistar. 

 

‘Prestem a atenção e vejam a injustiça e erro que sofrem. Vocês têm em nós cinco bons homens para liderar a frota, cada um de nós páreo para uma centena.’

 

‘Isso é verdade,’ seus seguidores responderam, ‘Vamos fazer o povo dessa terra pagar toda a servidão e os pesados tributos que eles impuseram a nós.’ Então eles mataram cada um dos gregos dignos de matar que eles pegaram, e devastaram as terras vizinhas, e nelas fizeram uma incursão destruidora e as queimaram. Então eles trouxeram seu saque e espólio para o lugar onde seus navios e galeras estavam e os belos barcos de proas negras que eles haviam feito de suas trouxas e sacos, isso é, para Traig Tresgad.

 

  1. Mil cento e trinta era o número de navios que partiram, de acordo com o poeta:

 

‘Mil cento e trinta navios – Esse, sem falsidade, é o número que acompanhou Genann e seu povo do Leste.

 

Numerosos, sem dúvida, eram os Fir Boig quando eles deixaram a Grécia, uma forte companhia que partiu vigorosamente em sua viagem, mas não em uma frota construída de madeira.

 

Na Quarta-feira eles partiram para o Oeste sobre o grande mar Tirreno, e após um ano inteiro e três dias eles chegaram à Espanha.

 

De lá para a nobre Irlanda eles fizeram uma rápida viagem; todos podem proclamar isso, eles tomaram um período de treze dias.’

 

  1. Então eles chegaram à Espanha. Eles perguntaram aos seus videntes e druidas por informação e direção sobre os ventos que seriam os próximos a leva-los para a Irlanda. Eles navegaram adiante em um vento sudoeste até que viram a Irlanda à distancia. Mas nesse ponto o vento se ergueu alto e forte, e sua violência levou enormes ondas contra os lados dos barcos; e a frota se separou em três grandes divisões, os Gaileoin, os Fir Boig e os Fir Domnann. Slainge levou à costa de Inber Slainge um quinto dos Gaileoin; Rudraige aportou em Tracht Rudraige em Ulster; e Genann em Inber Domnann. O vento esfriou, e a tempestade levou Gann e Sengann até que eles aportarem em Inber Douglas, onde Corcamruad e Corcabaisginn se encontraram.

 

  1. Ali eles aportaram e esse é o primeiro lugar onde ovelhas foram trazidas à Irlanda, e Morro das Ovelhas é seu nome.

 

Foi no Sábado, no primeiro dia de agosto, que Slainge aportou em Inber Slainge; Gann e Genann aportaram em Inber Domnann na Sexta-feira, e Rudraige e Senngan em Tracht Rudraige na Terça-feira. Os últimos estavam ansiosos sobre se os Fir Boig haviam ou não alcançado a Irlanda ou não, e mandaram mensageiros por toda a Irlanda para reunir todos aqueles que haviam chegado à Irlanda em um lugar, isso é, a Fortaleza dos Reis de Tara. Todos eles lá se reuniram. ‘Nós agradecemos aos deuses’, disseram eles, ‘por nosso retorno a ti, Irlanda. Que o país seja dividido igualmente entre nós. Tragam aqui o sábio Fintán, e que a Irlanda seja dividida de acordo com sua decisão.’

 

  1. Foi então que Fintán fez cinco porções da Irlanda. De Inber Colptha a Comar Tri nUisce foi dada a Slainge, filho de Dela, e seus mil homens. A porção de Gann era de Comar Tri nUisce a Belach Conglais, a de Sengann de Belach Conglais a Limerick. Gann e Sengann tinham, assim, os dois Munsters. Genann foi posto sobre Connacht, e Rudraige sobre Ulster. O poeta assim descreve a divisão:

 

‘No Sábado, um augúrio de prosperidade, Slainge alcançou a nobre Irlanda; sua corajosa carreira começou em Inber Slainge.

 

Na sombria Inber Douglas os dois navios de Gann e Sengann tocaram a gloriosa terra.

Rudraige e o próspero Genann aportaram na Sexta-feira. Esses eram todos eles, e eles eram os cinco reis.

De Inber Colptha a Comar Tri nUisce Fintán fez uma divisão; essa era a porção de Slainge das lanças. Sua hoste era de mil homens.

 

De Comar Tri nUisce à famosa Belach Conglais era o quinto do curandeiro Gann. Ele tinha uma companhia de mil homens.

 

Para Sengann, pensamos, foi dado de Belach a Limerick. Ele era o chefe de mil homens quando o conflito ameaçou.

 

Genann era o rei absoluto de Connacht ao Maigue. O heroico Rudraige era rei de Ulster, seus eram dois mil homens na hora da batalha.

 

Rudraige e Sengann das lanças eram, isso é certo, os chefes dos Fir Boig. Os Gaileon seguiam glorioso Slainge. Um bom rei era ele que tinha uma hoste mais numerosa. Eles entraram na Irlanda pelo Sul, como Deus achou apropriado.

 

  1. As esposas desses cinco chefes eram Auaist, Liben, Cnucha, Edar, e Fuat, como o poeta diz:

 

‘Fuat era a esposa de Slainge como vocês sabem, Edar do guerreiro Gann, Auaist de Sengann das lanças, Cnucha do belo Genann.

 

Liben era a esposa de Rudraige o Vermelho – eles faziam uma agradável companhia em visita. De qualquer modo, quanto a Rudraige, o rei dos feitos realizados, eu ouvi que sua esposa era Fuat.’

 

  1. Os Firbolg ocuparam a Irlanda e foram mestres dela por trinta anos.

 

  1. Quanto às Tuatha De Danann, eles prosperaram até que sua fama se espalhou sobre as terras do mundo. Eles tinham um deus da magia seu, Eochaid Ollathir, chamado o Grande Dagda, pois ele era um excelente deus. Eles tinham bravos e duros chefes, e homens proficientes em cada arte; e eles decidiram ir para a Irlanda. Então partiram daqueles audaciosos chefes, representando a perícia militar do mundo, e a habilidade e aprendizado da Europa. Eles vieram das ilhas do Norte a Dobur e Indobur, a S(…) e ao poço de Genann. Ali eles permaneceram por quatro anos, e na sua chegada à Irlanda, Nuada, filho de Echtach, era rei sobre eles.

 

Então esses guerreiros reuniram suas frotas em um lugar até que eles tinham trezentos navios ali. Então, seus profetas, Cairbre, Aed, e Edan perguntaram aos chefes da hoste em qual navio eles navegariam, recomendando o de Fiachra. Os chefes aprovaram e foram a bordo. Então eles partiram, e após três anos e três dias e três noites, aportaram na ampla Tracht Mugha em Ulster, na Segunda-feira da primeira semana de Maio.

 

Agora sobre a chegada das Tuatha De Danann na Irlanda, uma visão foi revelada em um sonho a Eochaid, filho de Erc, alto rei da Irlanda. Ele ponderou sobre ela com muita ansiedade, estando cheio de surpresa e perplexidade. Ele disse ao seu mago, Cesard, que ele havia visto uma visão. ‘O que era a visão?’ Perguntou Cesard. ‘Eu vi um grande bando de pássaros negros,’ disse o rei, ‘vindo das profundezas do Oceano. Eles pousavam sobre nós, e lutavam com o povo da Irlanda. Eles traziam confusão sobre nós, e nos destruíam. Um de nós, eu penso, atingia o mais nobre dos pássaros e cortava uma de suas asas. E agora, Cesard, utilize sua habilidade e conhecimento, e nos diga o significado da visão.’ Cesard o fez, e por meios de rituais e uso de sua ciência o significado da visão do rei lhe foi revelada; e ele disse.

 

‘Eu tenho pressentimentos para você: guerreiros estão vindo através do mar, mil heróis cobrindo o oceano; navios pintados se baterão sobre nós; todos os tipos de morte eles anunciam, uma pessoa versada em cada arte, um feitiço mágico; um espírito maligno virá sobre você, sinais para você se perder (?); … eles serão vitoriosos em cada embate.’

 

  1. ‘Essa,’ disse Eochaid, ‘ é a profecia da vinda à Irlanda de inimigos de países distantes.’

 

  1. Quanto às Tuatha De Danann, eles todos chegaram à Irlanda, e imediatamente destruíram e queimaram todos os seus navios e barcos. Então eles partiram para as Colinas Vermelhas de Rian em Brefne, no Leste de Connacht, onde eles pararam e acamparam. E finalmente seus corações e mentes estavam cheios com o contentamento de que eles tinham alcançado a terra de seus ancestrais.

 

  1. Então foi reportado aos Fir Boig que aquela companhia tinha chegado à Irlanda. Que era a mais impressionante e deleitosa companhia, os mais belos de forma, os mais distintos em equipamentos e aparatos, e em sua habilidade na música e instrumentos, os mais dotados em mente e temperamento que já tinham vindo à Irlanda. Essa era também a companhia mais corajosa e que inspirava mais horror e medo e pavor, pois as Tuatha De excediam a todos os povos do mundo em sua proficiência em todas as artes.

 

  1. ‘Isso é uma grande desvantagem para nós,’ disseram os Fir Boig, ‘ que não temos nenhum conhecimento ou registro de onde tal hoste viera, ou onde eles pensam em se fixar. Que Sreng parta para visita-los, pois ele é grande e feroz, e corajoso para espiar hostes e interrogar estranhos, e rude e aterrorizante de observar.’ Então Sreng se levantou e pegou seu forte escudo curvo marrom-avermelhado, seus dois dardos de hastes ríspidas, sua espada causadora de mortes, seu belo elmo de quatro lados, e sua pesada clava de ferro, e tomou seu caminho para a Colina da Chuva.

 

As Tuatha De viram um enorme homem terrível se aproximando deles. ‘Ali vem um homem totalmente sozinho,’ disseram eles. ‘É por informação que ele vem. Vamos mandar alguém para falar com ele.’

 

Então Bres, filho de Elatha, saiu do acampamento para inspeciona-lo. Ele carregava consigo seu escudo e sua espada, e suas duas grandes lanças. Os dois homens se aproximaram um do outro até que estavam à distância de fala. Cada um olhou atentamente para o outro, sem dizer uma palavra. Cada um estava impressionado com as armas e a aparência do outro; Sreng se impressionou com as grandes lanças que ele via, e apoiou seu escudo no chão à sua frente para que protegesse seu rosto. Bres, também, manteve o silêncio, e segurou seu escudo à sua frente. Então, eles cumprimentaram um ao outro, pois falavam a mesma língua – a origem sendo a mesma – e explicaram um ao outro, como se segue, quem eram eles e seus ancestrais.

 

‘Minha carne e minha língua foram felicitados por sua agradável e bela linguagem, quando você recontou as genealogias de Nemed em diante.’

 

‘Por origem, nossos povos são como irmãos; nossa raça e povo descende de Semeon.’

 

‘Essa é a hora correta para ter isso em mente, se nós somos, em carne e sangue, a mesma distinta raça que vós.’

 

‘Abaixe seu orgulho, que sua coragem escureça, esteja consciente de seu parentesco, evite a destruição de seus próprios homens.’

 

‘Altivo é nosso temperamento, nobre nosso orgulho e ferocidade contra nossos inimigos; você não irá abate-los.’

 

‘Nossos dois povos se encontrarão, será uma reunião onde muitos serão esmagados; que ele traga entretenimento.’ ‘Não será ele a nos distrair.’

 

  1. ‘Remova seu escudo da frente de seu corpo e rosto,’ disse Bres, ‘para que eu possa dar à Tuatha De um relato de sua aparência.’ ‘Eu o farei,’ disse Sreng, ‘ pois foi por medo da lança afiada que carrega que coloquei meu escudo entre nós.’ Então ele ergueu seu escudo. ‘Estranhas e venenosas,’ disse Bres, ‘são essas lanças, se as armas de todos vocês são semelhantes a essa. Mostre-me suas armas.’ ‘Eu irei,’ disse Sreng; e então ele desamarrou e descobriu seus dardos de ríspidas hastes. ‘O que você pensa dessas armas?’ Ele disse. ‘Eu vejo,’ disse Bres, ‘enormes armas, de pontas amplas, firmes e pesadas, poderosas e afiadas.’ ‘Triste para ele que elas devam destruir, triste para ele que elas devam voar, contra quem elas devem ser lançadas; elas serão instrumentos de opressão. Morte há em seus poderosos golpes, destruição em apenas um movimento deles; feridas são seus duros movimentos; esmagamento é o horror delas.’

 

  1. ‘Como vocês os chamam?’ Disse Bres. ‘Dardos de batalha são eles,’ disse Sreng. ‘Eles são boas armas,’ disse Bres, ‘corpos feridos eles significam, sangue jorrando, ossos quebrados e escudos estilhaçados, cicatrizes certas e verdadeira praga. Morte e mancha eterna eles trazem, afiadas, inamistosas e mortais são suas armas, e há fúria por fratricídio nos corações das hostes de cujas armas eles são. Vamos fazer um pacto e um acordo.’ Eles o fizeram. Cada um se aproximou do outro, e Bres perguntou: ‘Onde você passou a última noite, Sreng?’ ‘No abençoado coração da Irlanda, na Fortaleza dos Reis em Tara, onde estão os reis e príncipes dos Fir Boig, e Eochaid, Ard Righ da Irlanda. E tu? De onde vieste?’ ‘Da colina, do apinhado campo ali, na costa da montanha, onde estão as Tuatha De e Nuada, seu rei, que vieram do norte do mundo, em uma nuvem de bruma e uma chuva mágica para a Irlanda e a terra do Oeste.’ (De qualquer modo, ele não acreditou que fora assim que eles vieram). Foi então que Sreng disse: ‘Eu tenho uma longa jornada e é a hora que tenho de ir.’ ‘ Vá então,’ disse Bres, ‘e aqui há uma das duas lanças que eu trouxe comigo. Pegue-a como um exemplo das armas das Tuatha Dé.’ Sreng deu um de seus dardos para Bres, como um exemplo das armas dos Fir Boig. ‘Diga aos Fir Boig,’ disse Bres, ‘ que eles podem dar ao meu povo ou batalha ou metade da Irlanda.’ ‘Por minha palavra,’ disse Sreng, ‘ eu preferia lhes dar metade da Irlanda a enfrentar essas armas.’ Eles partiram em paz após fazerem um acordo de amizade um com o outro.

 

  1. Sreng pegou seu caminho para Tara. Ele foi perguntado por impressões do povo com o qual ele tinha ido falar; e ele contou sua história: ‘Bravos são seus soldados,’ ele disse, ‘viris e habilidosos são seus homens, sangrentos e certos de batalha são seus heróis, grandiosos e fortes seus escudos, muito afiadas e de duras hastes são suas lanças, e rígidas e largas são suas espadas. Difícil é lutar com eles; ‘é melhor fazer uma clara divisão da terra, e lhes dar metade da Irlanda, como eles desejam.’ ‘Não daremos isso, sem dúvida,’ disseram os Fir Boig, ‘pois se o fizermos, a terra será toda deles.’

 

  1. Bres alcançou seu acampamento, e foi perguntado por uma descrição do homem com o qual ele havia falado, e de suas armas. ‘Um homem grande, poderoso, feroz,’ ele disse, ‘ com armas vastas e surpreendentes, com uma vontade firme e truculenta, sem reverência ou medo por nenhum homem.’ As Tuatha Dé Danann disseram uns aos outros, ‘Não vamos ficar aqui, mas ir para o Oeste da Irlanda, para algum lugar fortificado, e lá enfrentaremos quem quer que seja.’ Então a hoste viajou para Oeste, pelas planícies e enseadas, até que chegou a Mag Nia, e ao fim da Colina Negra, que é chamada Sliabh Belgadain. Na sua chegada, eles disseram: ‘Esse é um excelente local, forte e impenetrável. Daqui nós lutaremos nossas guerras, e faremos nossos ataques, aqui vamos criar nossas batalhas e hostes.’ O acampamento é citado pelo poeta nessas linhas:

 

‘Da Colina de Belgadain à Montanha – lisa é a montanha ao redor do qual nos engajamos em nossas contendas. Do seu cume, as Tuatha De tomaram a Irlanda.’

 

  1. Foi então que Macha e Badb e Morrighan foram à Colina da Tomada dos Reféns e à Colina da Invocação das Hostes em Tara, e lançaram chuvas de feitiçaria e nuvens compactas de névoa e uma furiosa chuva de fogo, com um despejo de sangue vermelho sobre as cabeças dos guerreiros; e elas não permitiram aos Fir Boig nem descanso nem paz por três dias e três noites. ‘Pobre,’ disseram os Fir Boig, ‘é a feitiçaria dos nossos feiticeiros, que não pode nos proteger da feitiçaria das Tuatha Dé.’ ‘Mas nós protegeremos vocês,’ disseram Fathach, Gnathach, Ingnathach, e Cesard, os feiticeiros dos Fir Bolg, e eles pararam a feitiçaria das Tuatha Dé.

 

  1. Então os Fir Bolg se reuniram, e seus exércitos e hostes foram a um lugar de encontro. Ali se encontraram os reis provinciais da Irlanda. Primeiro vieram Sreng e Semne e Sithbrugh, os três filhos de Sengann, com o povo das províncias de Curói. Também foram Esca, Econn, e Cirb, com as hostes das províncias de Conchobar; os quatro filhos de Gann com as hostes das províncias de Eochaid filho de Luchta; os quatro filhos de Slainge com o exército da província de Gaileoin; e Eochaid, o Alto-Rei, com as hostes de Connacht. Os Fir Bolg, contando onze batalhões, então marcharam para a entrada de Mag Nia. As Tuatha Dé, com sete batalhões, tomaram sua posição na extremidade oeste da planície. Foi então que Nuada propôs às Tuatha De mandar enviados aos Fir Bolg: ‘Eles precisam ceder metade da Irlanda, e nós dividiremos a terra entre nós.’ ‘Quem serão nossos enviados?’

O povo perguntou. ‘Nossos poetas,’ disse o rei, nomeando Cairbre, Ai e Edan.

 

  1. Então eles partiram e chegaram à tenda de Eochaid, o Alto-Rei. Depois que eles haviam sido presenteados com dádivas, eles foram perguntados pela razão de sua vinda. ‘Isso é porque viemos,’ eles disseram, ‘ para pedir a divisão da terra entre nós, uma divisão igual da Irlanda.’ 

 

‘Os nobres dos Fir Bolg ouviram isso?’, disse Eochaid. ‘Nós ouvimos,’ eles responderam, ‘ mas não concederemos o seu pedido até o final do mundo.’ ‘Então,’ disseram os poetas, ‘quando vocês pensam em batalhar?’ ‘Alguma espera é pedida,’ disseram nos nobres Fir Bolg, ‘ pois nós temos que preparar nossas lanças, consertar nossas armaduras, moldar nossos elmos, afiar nossas espadas, e preparar vestimentas adequadas.’ Foram trazidos a eles homens para arranjar essas coisas. ‘Preparem,’ disseram eles, ‘escudos para uma décima, espadas para uma quinta, e lanças para uma terça parte. Vocês precisam ter cada utensilio que possamos pedir em qualquer lado.’ ‘Nós,’ disseram os enviados das Tuatha Dé aos Fir Bolg, ‘devemos fazer suas lanças, e vocês precisam fazer nossos dardos.’ As Tuatha Dé então receberam hospitalidade até que tudo estava feito. (De qualquer modo, embora tenha sido dito aqui que os Fir Bolg não tinham lanças, essas tinham sido feitas por Rindal, avô do então rei). Então eles providenciaram um armistício até que as armas chegassem, até que o equipamento estivesse pronto, e eles estivessem preparados para a batalha.

 

  1. Os druidas voltaram às Tuatha Dé e contaram sua história do começo ao fim, como os Fir Bolg não partilhariam a terra com eles, e lhes recusaram favores ou amizade. As notícias encheram as Tuatha Dé com consternação.

 

  1. Então Ruad com vinte e sete filhos do corajoso Mil correram à oeste para a extremidade de Mag Nia para oferecer uma competição de arremesso às Tuatha Dé. Um número igual veio para enfrenta-los. O desafio começou. Eles deram muitos golpes em pernas e braços, até que seus ossos se quebraram e feriram, e caíram estendidos na turfa, e o desafio terminou. O Cairn do Desafio é o nome do cairn onde eles se enfrentaram, e Glen Came Aillem o lugar onde eles foram enterrados.

 

  1. Ruad se voltou para o leste, e contou sua história para Eochaid. O rei estava feliz pela morte dos jovens soldados das Tuatha Dé, e disse para Fathach, “Vá para o oeste, e pergunte aos nobres das Tuatha De como a batalha deve ser lutada amanhã – se é para ser por um dia ou por muitos. ” O poeta foi e pôs a questão para os nobres das Tuatha De, isso é, Nuada, o Dagda, e Bres. “O que nós propomos, ” eles disseram, “é combatermos com números iguais em ambos os lados. ” Fathach voltou e reportou aos Fir Bolg a escolha das Tuatha De. Os Fir Bolg estavam deprimidos, pois eles não gostaram da escolha das Tuatha De. Eles decidiram chamar por Fintan para ver se ele poderia lhes dar algum conselho. E Fintán veio a eles.

 

 

Fonte: Fraser, J. “The First Battle of Moytura.” Ériu v.8 (1915), pp. 1-63 [H 2.17]. Disponível em: <http://www.maryjones.us/ctexts/1maghtured.html&gt;.

Versão em português: Wallace William de Souza para o “Keltia Brasil”, disponível em:< https://sites.google.com/site/brasilkeltia/cultura-celta/a-primeira-batalha-de-moytura-1&gt;.

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